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Foto de garoto em meio ao mar de óleo no Recife repercute mundialmente

Everton Miguel dos Anjos, de 13 anos, ajuda a mãe em um bar na beira-mar de Itapuama, no Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife. Imagem ganhou repercussão internacional.

25/10/2019 16h50
Por: ADMINISTRADOR
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TRISTE FIM
TRISTE FIM

“Quando eu vi o óleo, pensei em várias coisas. Na tristeza, no trabalho da minha mãe e em ajudar.” Essa declaração é de Everton Miguel dos Anjos, de 13 anos, fotografado em meio ao óleo que atingiu a Pedra do Xaréu, no Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife. A imagem viralizou nas redes sociais e ganhou repercussão internacional como um símbolo do desastre ambiental no litoral brasileiro.

Além do Cabo, outras nove cidades pernambucanas tiveram praias manchadas pelo óleo no período entre 17 de outubro e esta sexta-feira (25): São José da Coroa Grande, Barreiros, Tamandaré, Sirinhaém, Rio Formoso, Ipojuca, Jaboatão dos Guararapes, Paulista e Itamaracá. Até quinta (24), 1.358 toneladas de resíduos foram recolhidas do litoral do estado, segundo balanço do governo.

 

Filho da comerciante Ivaneide Maria de Oliveira, de 36 anos, Everton faltou à escola na segunda-feira (21) para ajudar a mãe no bar à beira de Itapuama, no Cabo de Santo Agostinho. O ponto é a única fonte de renda da família e sempre abre aos fins de semana, mas o feriado estadual de Dia do Comerciário era uma expectativa de aumentar o faturamento da família.

A realidade, no entanto, trouxe a dureza de ver a única fonte de renda manchada pelo óleo. “No fim de semana, a gente foi trabalhar normalmente porque não tinha nada. E na segunda [21], como o movimento seria grande por causa do feriado, ele foi para me ajudar. Quando eu vi o óleo, a primeira coisa que pensei foi no comércio”, contou a mãe do adolescente.

Trocando o material de limpeza das mesas do bar pelo Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), Everton se integrou à força-tarefa montada às pressas para conter o óleo na Pedra do Xaréu. Já Ivaneide permaneceu em Itapuama.

“Eles [pessoas no local] deram bota, luva, mas serve até certo ponto. A luva é curta e a areia entra na bota, então só adianta se na área em que você estiver for pouco óleo para limpar”, disse a comerciante.

Apesar da ajuda dada pelo filho, a comerciante sentiu medo ao vê-lo com a substância grudada no corpo. “Ele quis ajudar, eu deixei. Quando eu vi que ele estava coberto de óleo, reclamei com ele porque fiquei preocupada. Graças a Deus ele não teve nada”, afirmou Ivaneide.

Essa foi a última vez que mãe e filho estiveram na praia. “Não fomos depois por causa da passagem [de ônibus]”, disse Ivaneide, que mora com Everton, o esposo, dois filhos de 18 e 20 anos, a nora e um neto em uma casa localizada em Ponte dos Carvalhos, no Cabo.

 

Para o sábado (26), dia em que o bar normalmente abre, não há previsão de funcionamento. “Vamos só no domingo, tentar tirar o lucro com água, água de coco, refrigerante, batata frita e calabresa”, contou a mãe do adolescente, diante das recomendações de pesquisadores para suspensão de consumo dos frutos do mar que ela costuma vender.

“O pessoal não vai mais querer marisco, caranguejo, peixe, sururu e caldinho de polvo. Foi um desespero e ainda está sendo. É muito triste, mas a gente tem que se virar de alguma forma. Só Deus é quem vai nos dar uma luz”, declarou, na esperança de que seu sustento não volte a ser manchado pelo óleo.

Ministro entra em praia atingida

 

Ministro do Turismo [de azul escuro] molha os pés em Muro Alto, em Ipojuca, uma das localidades atingidas por óleo no Nordeste — Foto: Reprodução/TV Globo

Durante visita à praia de Muro Alto, em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco, na manhã desta sexta-feira (25), o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, afirmou que “as praias do Nordeste estão aptas aos banhos dos turistas”. No local, ele chegou a entrar na água e a molhar os pés.

Amostras de água de praias pernambucanas atingidas pelo óleo foram coletadas pelo governo estadual na quinta-feira (24). O objetivo da análise é verificar se há hidrocarbonetos, compostos orgânicos presentes no petróleo e que, em grandes concentrações, podem causar danos à saúde.

A previsão é de que os resultados sejam divulgados em novembro. Enquanto isso, a recomendação de pesquisadores é que, nos locais onde a praia já foi limpa, o banho de mar está liberado, mas, nos locais onde ainda existe óleo, as pessoas devem evitar entrar na água.

Voluntários relatam intoxicação

Pessoas que ajudaram a recolher o óleo encontrado nas praias pernambucanas relataram ter sentido diversos sintomas após o contato com a substância.

Em São José da Coroa Grande, em situação de emergência reconhecida pelo governo federal na quarta (23), ao menos 17 foram socorridas a um hospital do município, com dor de cabeça, enjoo, vômitos, erupções e pontos vermelhos na pele. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, há outros dois casos relatados em Ipojuca, no Grande Recife.

Pesquisas

Representantes de 15 prefeituras se reuniram com o governo estadual, na quarta-feira (23), para planejar ações de prevenção e contenção do óleo. Na ocasião, Pernambuco anunciou um edital de R$ 2,5 milhões para 12 projetos de pesquisa para analisar a toxicidade do petróleo e seus efeitos na água, no ecossistema e na alimentação.

*Redação Alagoas Alerta com G1 

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